TRAJETO ATÉ MINHA ESCOLA
Moro no Bairro Higienópolis, em Porto Alegre.
Quando era criança, morava no Moinhos de Vento. Como as crianças cresceram e a família era grande, meus pais resolveram se mudar para esse bairro, quando eu era adolescente e tinha 12 anos.
Era um bairro super tranqüilo, tão tranqüilo que era ótimo para as crianças: a rua era lugar de crianças, não de carros; os pais ganhavam uma folga quando os filhos iam para a rua, não havia perigo; ônibus, somente a três quadras de meu prédio e lotação, a duas; rua calma, sem muito movimento sem ser dos moradores; muitas casas; ruas floridas.
Hoje, mais carros do que crianças; crianças nas calçadas e sempre com os pais vigiando, já que os perigos são muitos; muito movimento, pois virou caminho alternativo para quem não quer pegar o movimento da Terceira Perimetral ou quem quer chegar nela; lotação, duas; ônibus, em rua perpendicular à minha; casas nem pensar, somente prédios, cada vez maiores.
Tanta mudança, tantas construções, que nem posso mais ver o pôr do sol do Guaíba, sentada no terraço de minha casa. Também não vejo mais os navios passado debaixo da Ponte do Guaíba, não vejo-a mais erguendo-se; só ouço a buzina dos navios... doces lembranças, imagens e sensações de paz e tranqüilidade que tinha ao assistir e sentir esses espetáculos.
A vida passa, a vida de adolescente passou.
Hoje, com 26 anos, corro contra o tempo para conseguir vencer todas as tarefas do dia-a-dia. A principal é cumpri meu horário na escola. e tudo começa com a saída de minha casa.
Saio de minha casa às 12h30 para pegar o ônibus T2, numa rua, antes, tranqüila e sem ônibus. Hoje, muito movimentada.
De lá, a maior parte do trajeto do ônibus até minha escola faz-se pela Terceira Perimetral. Pela longa e boa Perimetral.
Antes de ficar pronta, claro, mil e um transtornos, reclamações, brigas, abaixo- assinados pelos bairros. Lembro de minha mãe pedindo para que assinássemos (eu e meus irmãos) um abaixo- assinado pedindo para não cortarem as árvores centenárias nas ruas que fariam parte da Terceira Perimetral. Claro que assinamos e deu certo: muitos dos lindos Ipê- amarelo e dos Jacarandás permanecem ou foram removidos para praças próximas. Eles não podiam sumir, pois são marcas do bairro e da cidade de Porto Alegre (sujam muito, em dia de chuva é perigoso, vários tombos já levei, mas a beleza supera tudo!).
No caminho, passo por vários pontos de ônibus novos, vários viadutos. E o que me chama mais atenção é a sujeira deles... Fico horrorizada com o tamanho da crosta de poeira que se encontra neles, em suas proteções aos usuários e a falta de iluminação à noite. Obras fantásticas, porém imundas.
Sinto uma vergonha, nesses momentos, e indignação, ao mesmo tempo, dos governantes. Que investem milhões para depois ficar às traças, sem cuidados, sem manutenção... o problema que não posso fazer simplesmente nada, a não ser ficar indignada com isso tudo.
Logo depois da Rótula da Carlos
Gomes, meu "bus" pega a Protásio Alves e faz váriassssssssssss voltinhas. Só um MP3 para fazer meu trajeto mais feliz e mais rápido. O que gosto mesmo é ir descobrindo coisas e lugares. Sou muito observadora (também não há muito o que se fazer dentro de um ônibus!! :) ). Agora ando observando para ver se descubro escolas de dança, pois eu e meu namorado queremos fazer dança de salão. Ahh, algo muito bom! Recomendo aos professores, que ralam demais, se estressam mais ainda. Todo ser precisa arrumar um tempo para descansar e relaxar, senão para que tanto trabalho se não consegue curtir a vida? Além do mais, gasta caloriassssss...
Chegando na Rua Barão do Amazonas, desço e caminho duas quadras. Nesse trajeto, vou observando o clima tranqüilo, com muitas casas e muitas árvores. Lembra-me meu bairro quando me mudei. Porém, com isso, vou observando o crescimento e a valorização do bairro. Logo, logo, ser´mais um dos "melhores" bairros da cidades para se viver.
Enfim, chego a minha escola, Professor Leopoldo Tietböhl, onde faço uma das coisas que mais gosto: dar aulas para a 1ª série!!! E de lá, volto para casa cansadérrima, mas , no dia seguinte, faço o mesmo trajeto, porque "AMO MUITO TUDO ISSO" !! (
) hihihi
Comments (2)
Anonymous said
at 1:39 am on Apr 9, 2007
Oi Cris!
Você tem uma história muita bonita do tempo em que podia apreciar o Guaíba, a ponte elevadiça, etc. Pena que com o crescimento da cidade perdemos coisas como estas que mencionastes no teu relato que era poder apreciar a natureza da janela da tua casa. Ah!eu e meu marido já fizemos curso de dança de fandango e algumas aulas de dança de salão no ano passado. Agora, no mês de abril, iniciaremos novamente dança de salão lá na zona sul (Associação do Banco do Brasil). Realmente, dançar faz muito bem para o corpo, a mente e o relacionamento dos casais. Depois da aula, chegamos em casa muito leves, tranqüilos e mais próximos. Vale muiiiito a pena! Abraços, Ledi
Anonymous said
at 11:54 pm on Apr 14, 2007
Olá Cris! Legal o teu relato de como era o bairro que moras. Lembrou-me um pouco do filme - O Homem que Copiava - , pois a narrativa do personagem do Lázaro Ramos é bem melancólica como a tua. Sabe aquela melancolia de outono, fim de tarde no inverno, isso é muito bom para poesia. Bem mas devo dizer que tu está no paraíso em relação ao caminho para tua escola. Dá só uma olhada no meu trajeto.A propósito a escola em que dá aula não fica perto de uma igreja católica? Pois se fica tenho uma tia que mora bem ali perto e também lembrei dos tempos em que passava férias lá. Era muito legal, como muitas coisas da nossa infância. Abraços !
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